17 de set. de 2008

Onisciência seletiva.

Sentia frio. O mês era fevereiro, mas sentia como se tivesse a Groelândia inteira dentro de si, a arrepiar-lhe os pêlos da nuca. E sabia que a sensação não era externa, muito pelo contrário. Sentia o frio sair de seu peito. Por mais que quisesse negar, sabia que era inevitável. Não confiava mais em pessoas, e a idéia de amar novamente lhe parecia piegas e sem propósito, senão causar dor. Imaginar tal situação lhe causava náuseas. A dor era alucinante. Como poderia sobreviver a isso novamente? Estava cheio de tirar seu futuro de suas próprias mãos.
Decidiu então congelar. Transformou seu coração em gelo puro, arrancou-o do peito, abriu sua janela, e com toda a confiança do mundo atirou longe a razão de suas noites mal dormidas, das lágrimas derramadas ao som de músicas bobas.
E então jogou. Sem nem olhar pra onde.
Naquele momento, achou que tinha encontrado a felicidade. Na verdade, não sabia se estava feliz, mas pelo menos não sentia mais dor. Mais nada. E mal sabia que deveria ter prestado mais atenção na hora de jogar o infortúnio fora. Sem perceber, jogara puro gelo aos pés do Sol...

Ahhhh. Que drama lindo.
Beijomeliga.

2 comentários:

Anônimo disse...

Adoro o modo como escreve! Você tem muita sensibilidade ao transmitir sua idéia! Um grande beijo de quem te ama sempre... Fá!

Juliana Valieri disse...

Mariiii, cara!!!! Eu AMEI esse texto!
Que coisa mais linda e profunda, arrasou bicha! Paguei um pau.
Dááá-lhe Mari!
Beijo e te amo!