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Onisciência seletiva.
Sentia frio. O mês era fevereiro, mas sentia como se tivesse a Groelândia inteira dentro de si, a arrepiar-lhe os pêlos da nuca. E sabia que a sensação não era externa, muito pelo contrário. Sentia o frio sair de seu peito. Por mais que quisesse negar, sabia que era inevitável. Não confiava mais em pessoas, e a idéia de amar novamente lhe parecia piegas e sem propósito, senão causar dor. Imaginar tal situação lhe causava náuseas. A dor era alucinante. Como poderia sobreviver a isso novamente? Estava cheio de tirar seu futuro de suas próprias mãos.Decidiu então congelar. Transformou seu coração em gelo puro, arrancou-o do peito, abriu sua janela, e com toda a confiança do mundo atirou longe a razão de suas noites mal dormidas, das lágrimas derramadas ao som de músicas bobas. E então jogou. Sem nem olhar pra onde. Naquele momento, achou que tinha encontrado a felicidade. Na verdade, não sabia se estava feliz, mas pelo menos não sentia mais dor. Mais nada. E mal sabia que deveria ter prestado mais atenção na hora de jogar o infortúnio fora. Sem perceber, jogara puro gelo aos pés do Sol...
Ahhhh. Que
drama lindo.
Beijomeliga.
2 comentários:
Adoro o modo como escreve! Você tem muita sensibilidade ao transmitir sua idéia! Um grande beijo de quem te ama sempre... Fá!
Mariiii, cara!!!! Eu AMEI esse texto!
Que coisa mais linda e profunda, arrasou bicha! Paguei um pau.
Dááá-lhe Mari!
Beijo e te amo!
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